segunda-feira, 4 de abril de 2011

Arqueologia: Casas Subterrâneas em Santa Catarina

   Em São José do Cerrito, planalto catarinense,  uma equipe de pesquisadores coordenados pelo padre jesuíta   Pedro Ignácio Schmitz da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos-RS) vem trabalhando  numa série de estruturas subterrâneas que foram encontradas na região,  segundo os arqueólogos trata-se do  maior  conjunto de casas ou abrigos subterrâneos localizados até agora no país. As estruturas que foram datadas em cerca de 1000 anos guardam vestígios das populações nativas que habitaram o planalto catarinense em tempos pré-colombianos, uma verdadeira "cidade perdida " que  está sendo desenterrada desde 2007 quando o padre Ignácio começou os trabalhos de investigação no local. Já foram encontradas mais de 200 estruturas algumas medindo 7 metros de profundidade por 20 de diâmetro, e ainda há muito mais a se descobrir afirmam os pesquisadores que são financiados pela UNISINOS-RS  e pela UNISUL-SC.   Além da descoberta desse imenso patrimônio histórico, o  trabalho vem contribuir para a preservação desses tipos de sítios tão ameaçados como alerta Maria José de Reis:
"As casas subterrâneas, a exemplo do que vem ocorrendo com numerosos sítios do Brasil estão seriamente ameaçadas de destruição pela intensificação das atividades agrícolas e a total ignorância ou descaso da população brasileira a respeito do valor destes documentos arqueológicos para conhecimento da nossa pré-história".
   Em 2007 o Grupo de Estudos Manoa visitou uma série de "buracos de índios" como são chamadas as estranhas galerias subterrâneas existentes em um morro próximo a praia da Solidão, no sul da Ilha de Santa Catarina. Na ocasião constatamos que o sítio estava muito prejudicado devido a ação dos moradores locais que por falta de conhecimento acabaram fechando algumas das entradas ou abrigos para evitar que animais de criação como  bois e vacas caíssem dentro dos buracos. No local foram encontrados vestígios de cerâmicas antigas, conforme relatou o proprietário do terreno. Trata-se de um exemplo de abandono de um importante sítio arqueológico do estado de Santa Catarina.

Wlademir Vieira- Manoa Expedições

Para saber mais:
http://arqueologiamericana.blogspot.com
Reis, Maria José. As Casas subterrâneas em Santa Catarina. Anais do Museu de Antropologia da UFSC. Florianópolis. Ed. UFSC 1971 p.113.

                              Escavações em Cerrito  Fotos: Vani boza - Clic RBS


                                    Abrigos subterrâneos na Ilha de Santa Catarina


(História Ambiental)    Ilha de Páscoa

A ilha de Páscoa é o exemplo mais extremo de destruição de florestas no Pacífico, está entre os mais extremos do mundo: toda a floresta desapareceu, todas as suas espécies de árvore se extinguiram. As conseqüências imediatas para os insulares foram a perda de matérias-primas, perda de fontes de caça e diminuição das colheitas. (pg.138)



Foto: http://astronomicaltours.net/2010/EasterIsland/index.html

As árvores eram usadas para fazer fogo. Também eram usadas para cremar os mortos: os crematórios de Páscoa contém resíduos de corpos e grande quantidade de cinzas de ossos humanos, implicando o consumo de grandes quantidades de combustível para proceder à cremação. As árvores eram derrubadas para a criação de hortas, uma vez que a maior parte da superfície de Páscoa, com exceção daquelas com maior elevação, acabou sendo usada para cultivos. Pela antiga abundancia de ossos de golfinhos e atuns oceânicos, deduzimos que grandes árvores como a Alphitonia e a Elaeocarpus eram derrubadas para a confecção de canoas oceânicas; (...) Deduzimos que as árvores forneceram madeira e cordas para o transporte e erguimento de estátuas, e indubitavelmente para uma infinidade de outros propósitos. (pg 137)



Foto:http://rachelincolombia.wordpress.com/2009/12/10/what-to-make-of-the-nazcas-folly/

A falta de grandes troncos e de cordas determinou o fim do transporte, erguimento de estátuas e também a construção de canoas oceânicas. Em 1838, quando cinco pequenas canoas mal vedadas comportando dois homens fizeram-se ao mar para negociar com um navio Francês ancorado em Páscoa, o capitão registrou : “Todos os nativos repetiam freqüente e excitadamente a palavra miru e ficaram impacientes ao ver que não entendíamos o que diziam: esta palavra é o nome que os polinésios dão à madeira com que fazem as suas canoas. (pg.138)



Foto:http://www.nationalgeographic.com/history/ancient/enlarge/easter-island.html
copyright: James Blair



Foto: http://www.syanna-kellywright.com/Trav3.html

Estas foram as conseqüências imediatas do desmatamento e outros impactos ambientais causados pelo homem. As conseqüências posteriores começam com fome, declínio da população e degradação até o canibalismo.



Foto: http://www.trekearth.com/gallery/South_America/Chile/Central_Valley/Santiago/photo1127397.htm
copyright: Bjorn Larsen

Fonte:
DIAMOND, Jared M. Colapso: como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso.2. ed. Rio de Janeiro : Record, 2005. 685 p, il.
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Jonathas Kistner - Grupo de Estudos Manoa


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